Stella Bertaso: exemplo de mulher e de vida

Atletas

Comecei a nadar com 62 anos e, até então, nunca havia pensado em ser atleta. Antes me dediquei a ser professora de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ao me aposentar por ter câncer de mama, por recomendação médica teria que fazer atividade física, pois era totalmente sedentária. Escolhi a natação porque sempre gostei da água como meu elemento.

Ao me ver nadar, o treinador da equipe do Grêmio Náutico União fez o convite para que integrasse a equipe master do clube, considerado um dos melhores do Brasil. Atualmente sou campeã estadual, sul-brasileira e brasileira nos 50mts, 100mts e 200mts costas, além de ser Top 10 do mundo nas modalidades, com mais de 300 medalhas no total.

O curioso é que toda a minha família praticava esporte. O meu marido era automobilista; os meus irmãos tenistas; a minha filha mais velha, Paula, recordista nos 800mts de atletismo; e a mais nova, Vitória, campeã pan-americana de ski aquático. Ou seja, todos eram esportistas, menos eu. Até então eu só alimentava os meus atletas e nem sonhava que um dia eu poderia ser uma nadadora! Até mesmo na Universidade trabalhei muito pelo esporte. Fui presidente da Fundação do Desporto, participei da Tribuna Livre na Câmara para aprovação da Secretaria do Desporte no Rio Grande do Sul e da apresentação de subsídios técnicos para a ECO 92 com o título “Esporte, turismo e meio-ambiente”, entre tantas outras coisas.

Hoje, aos 74 anos, entendo o quanto a atividade física para o idoso funciona como um remédio. Os benefícios se refletem na saúde, na beleza e no bem-estar. O idoso está em uma fase de vida especial. Temos que dizer sim aos desafios que aparecem todos os dias e ir em frente enquanto temos vida. Viver em abundância é o que está na Bíblia. Não podemos nos entregar de jeito nenhum.

Além dos treinos, presto trabalhos voluntários e faço palestras em hospitais para pessoas com câncer e para o público idoso. Elas falam sobre a gestão dos nossos valores e da nossa etapa de vida. Sou descendente direta de Marechal Osório, Patrono da Cavalaria, e portadora da concessão pelo Ministério da Defesa da medalha Lanceiro de Osório. Como mulher, tudo o que conquistamos, as outras são elevadas. E isso é o que todos precisam. Se eu posso, tu podes.

Atualmente sou viúva, mãe de três filhas e cinco netos. A maternidade é a maior realização da vida da mulher, pois é a realização do amor de mãe. Foi assim comigo, sendo que ser avó é ser mãe duas vezes! É deste amor de mãe que todos precisam, assim como o amor à pátria. Quem ama a pátria não é corrupto. E o que o Brasil precisa é de amor.

Por Stella Bertaso, atleta master do Grêmio Náutico União (RS)

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