Patrícia dos Santos: de Cariacica para os Jogos Paralímpicos 2016

Atletas

Algumas histórias são marcadas por acontecimentos trágicos e que mudam totalmente as trajetórias de vida. Muitas pessoas sucumbem diante das adversidades, enquanto outras conseguem reconstruir seus destinos e fazê-los ainda mais vitoriosos. E foi exatamente isso que fez a nadadora paralímpica Patrícia Pereira dos Santos, medalha de prata dos Jogos Rio 2016 no revezamento 4x50m livre misto.

“A minha história no desporto paralímpico começou após um acidente. Em 2002 fui atingida por um tiro durante assalto à lotérica onde trabalhava e fiquei sem andar. Como sempre amei atividade física, na reabilitação encontrei no basquete em cadeira de rodas uma forma de continuar a praticar esporte e por oito anos fui ala-pivô de uma equipe paralímpica de Vitória. Até então nem passava pela minha cabeça ser nadadora! Aliás, nem sabia nadar e tinha medo da água. Relutei muito até aceitar o convite para conhecer a modalidade. Encarei o desafio de perder o medo e em 2009 comecei a dar as primeiras braçadas. E foi uma sensação totalmente nova para mim. A água deu uma liberdade de movimentos ao meu corpo que não executo fora da cadeira de roda. Foi uma magia descobrir isso!

Nos anos seguintes evoluí gradualmente nos resultados. Dos campeonatos regionais passei para os estaduais, depois para os brasileiros, até chegar ao ápice da minha carreira, que foi defender o Brasil nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Essa, sem dúvida, foi uma experiência indescritível. O processo de preparação foi muito intenso e alcançar a medalha de prata foi maravilhoso, principalmente por ser no meu país e com o apoio da torcida brasileira. Levei de Vitória para Rio um microônibus com vários conhecidos e ficava arrepiada cada vez que o meu nome era anunciado. Além da segunda colocação no revezamento, fiquei em quinto nos 50mts peito e em sexto no 50m livre livre S4, sendo considerada uma das estreantes revelações da paralimpíada na modalidade.

A minha experiência serviu de modelo para os moradores de Cariacica. Por ser uma localidade carente, muitas pessoas não tinham noção do esporte paraolímpico. Elas começaram a ver reportagens ao meu respeito, apareci na televisão e quando retornei tive a alegria de ser recebida pelo governador e pelo prefeito com todas as honrarias.

Nunca imaginei isso e foi um privilégio. Mostrei que é possível sair de uma cidade pequena e alcançar grandes planos.

E um fato curioso. Sempre via os produtos da Hammerhead nos corpos das outros atletas, mas não no meu, e dizia que um dia teria isso. Para meu orgulho, foi ​ela ​a primeira empresa a me patrocinar. Lembro bem a emoção ao receber o kit com os itens, pois não tinha condições de comprar material de alta qualidade. Fiz o índice paraolímpico usando o traje ​da marca, pois me permitiu evoluir significativamente na água. Tem gente que pensa que é besteira, mas sou testemunha do quanto faz diferença para a performance dos nadadores, pois dá outra noção corporal. E nos Jogos Rio 2016 todos os integrantes da seleção paraolímpica de natação receberam o kit da Hammerhead, que foi uma das apoiadoras da Confederação Paralímpica​​.

Muito obrigada​ ​por todo o apoio que vocês me deram. Jamais esquecerei!​​”.

Por Patrícia Pereira dos Santos, 39 anos, medalhista de prata os Jogos Paralímpicos Rio 2016.

 

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