Para a evolução da natação, quanto mais tempo, melhor!

Você Sabia?

Os esportes, em modo geral, tiveram uma grande evolução ao longo dos anos. Em especial, nas modalidades em que a competição é decidida nos detalhes, isto fica ainda mais evidente. Na natação, por exemplo, cada centésimo de segundo conta, o que leva os atletas a testarem seus limites diariamente em busca da contínua melhora de sua performance.

Para ilustrar essa análise foram estudados dois momentos distintos dos Jogos Olímpicos. Em 1932, o japonês Yasuji Miyazaki conquistou o ouro nos 100m livre com 58.2 segundos. Após 84 anos, nos Jogos do Rio, o australiano Kyle Chalmers faturou o ouro com 47.5 segundos, uma diminuição de 10.7 segundos. “Ao longo das décadas ocorreu uma evolução nos treinamentos físicos e técnicos, alterações nos blocos de partida, aprimoramento na construção das piscinas e surgimento dos trajes de competição. Todos esses fatores estão atrelados à evolução da tecnologia”, explica o biomecânico Augusto Barbosa.

O australiano Kyle Chalmers faturou o ouro olímpico nos 100m livre com 47.5s. Foto: Getty Images

Entre as mulheres, a norte-americana Katie Ledecky sagrou-se bicampeã olímpica nos 800m livre ao vencer em Londres e no Rio de Janeiro, diminuindo o seu tempo em incríveis 10 segundos. “Ela tem muita facilidade para manter o ritmo das braçadas e abra grande vantagem nas provas mais longas. Não à toa tem os melhores tempos da história nos 800m livre e foi ouro em 2012, com apenas 15 anos”, conta Augusto. Com talento, técnica e treinamento, Ledecky integra uma nova geração de nadadoras que mudaram aspectos biomecânicos do nado. “Ela consegue manter tanto o quadril como o cotovelos altos, além de ter uma pernada reta, sem dobrar muito o joelho”, complementa Augusto.

Katie Ledecky é bicampeã olímpica dos 800m livre. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O técnico e comentarista da Sportv Alex Pussieldi explica que outra mudança de paradigma foi que a natação deixou de ser um esporte de temporada e passou a ser praticada o ano todo. “Antigamente só se nadava no verão e os atletas treinavam sete meses no máximo. Ao longo dos anos o treinamento cresceu de forma absurda e os nadadores de hoje são profissionais, sendo que os grandes clubes e seleções têm equipes multidisciplinares”, diz Alex. “A tecnologia também influenciou. As piscinas estão mais rápidas, temos raia anti-marolas, entre inúmeros outros avanços”, afirma.

Miguel Valente nas eliminatórias dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Foto: Vitor Silva/SSPress

Com tantas mudanças tecnológicas é inegável a contínua evolução da natação e para os próximos anos a tendência é essa curva se acentuar. “Individualização extrema dos treinos por meio da ciência será o divisor de águas para os atletas bem sucedidos. É claro que existem os super talentos, mas acredito que a ciência ajudará cada vez mais nadadores regulares, mas de alto nível competitivo,  a se tornarem protagonistas da história”, conclui Augusto.

Devemos aguardar por mais quebras de recorde, momentos marcantes e novas histórias sendo escritas.

*Augusto Barbosa possui doutorado em Educação Física e mais de 10 anos de experiência em biomecânica e análise de desempenho com atletas olímpicos e paralímpicos de nível mundial.
** Ex-treinador de natação olímpico (2008-2012), atual comentarista de natação, editor chefe do site Best Swimming e blogueiro no Globoesporte.com.

Por Nill Cavalcante, NC Assessoria de Comunicação

Não existem comentários, envie o seu