Monike Azevedo e a nobre missão de transformar vidas

Hammerhead

Quem conhece Monike Azevedo sabe do amor dela ao esporte. Com mais de 20 anos de uma vitoriosa carreira no triathlon, a niteroiense fundou o ‘Projeto Monike Azevedo: esporte e valores olímpicos’, que oferece gratuitamente aulas para crianças e adolescentes, sendo referência nacional. Neste 1º de setembro, Dia do Profissional de Educação Física, contaremos a história desta bela iniciativa em homenagem a todos que, assim como Monike, se dedicam a fazer a diferença na vida das pessoas.

A ligação da triatleta com o esporte começou aos três anos, por conta da bronquite. A niteroiense começou a nadar, a treinar, a ganhar tudo. Mas não podemos esquecer que Niterói (RJ) é o berço do triathlon nacional e de campeões como Fernanda Keller e Armando Barcellos. “Aos 14 anos comecei na modalidade e me apaixonei. Os resultados foram aparecendo e conquistei três campeonatos brasileiros, seis estaduais, entre vários outros títulos”, resume.

O projeto contempla 120 crianças por ano, com idades entre 7 e 16, em seis turmas no total.

Apesar das conquistas, o maior sonho de Monike era transmitir o seu conhecimento e dar oportunidade para que outras crianças e adolescentes tivessem a chance de encontrar um caminho no esporte, assim como ela. “Foi isso que me motivou a fazer o curso de Educação Física, sendo que sempre gostei muito de trabalhar com crianças”, revela.

Esse caminho começou a ser traçado a partir de 2006, com a transferência do marido de Monike para a Região dos Lagos, a 1h30 de Niterói. Nesta época a carreira dela já havia deslanchado. “Por conta dos Jogos Panamericanos Rio  2007, os meus patrocinadores me incentivaram a criar o projeto social aproveitando toda a repercussão do evento e da minha imagem. Foi desta forma que nasceu o ‘Projeto Monike Azevedo: esporte e valores olímpicos’, na cidade de Iguaba Grande, para oferecer gratuitamente aulas de triathlon para crianças e adolescentes”, explica.

Atualmente tudo está centralizado na Base Aérea de São Pedro da Aldeia (RJ).

No dia do lançamento caiu uma forte chuva na cidade. Mesmo assim, a criançada compareceu em peso no clube e faltou espaço para tanta gente. “Ganhamos uma enorme proporção regional e, na sequencia, nacional”, diz orgulhosa. A projeção definitiva aconteceu em 2013, quando a Marinha do Brasil entrou como apoiadora. “Isso nos consolidou na parte de idoneidade. Eu sempre digo que existem muitas pessoas que apoiam os projetos sociais e muitas que se apoiam nos projetos sociais”, opina.

Atualmente tudo está centralizado na Base Aérea da cidade de São Pedro da Aldeia, a 150 km do Rio de Janeiro, e atende alunos de diferentes municípios da Região dos Lagos. A estrutura dispõe de três piscinas, pista de atletismo e até policlínica. Neste espaço privilegiado funcionam as Escolinhas de Triathlon, Montain Bike e Ciclismo em Estrada. “É um local muito especial e que oferece todas as condições que precisamos para as aulas, incluindo a questão da segurança. É um privilégio estarmos na base”, elogia.

Pedro Daudt, Alyce Pereira e Matheus Azevedo com os produtos da Hammerhead.

O limite é de 120 crianças por ano, com idades entre 7 e 16, em seis turmas no total, que vão desde o iniciante, passando pelo intermediário, até o alto rendimento. Os materiais são obtidos por meio de parcerias e apoios como da Hammerhead.

“Eu não peço dinheiro, mas sim, doação do que preciso. A Hammerhead doou desde macaquinho, sunga, touca, óculos, maiô, até mesmo roupa de borracha. Foi incrível ver a felicidade dos alunos ao receberem os materiais. Eles ficaram encantados ao ver tanta coisa de qualidade e foi um estímulo imenso”, elogia Monike.

Os materiais são obtidos por meio de parcerias e apoios como da Hammerhead.

No projeto ela é acompanha pelo auxiliar técnico Paulo César (o PC), quatro coordenadores, além da presidente do Instituto. Tanto empenho já rendeu títulos como de campeão por equipes no Estado do Rio de Janeiro (2011), vice-campeão por equipes (2010) e a escolha como Projeto Referência na Região dos Lagos (2008, 2009 e 2010). A escolinha lidera atualmente o Campeonato Estadual de Montain Bike com Pedro Daudt, de 11 anos.

Muito além da atividade física, segundo Monike o projeto oferece uma oportunidade educativa por meio da prática desportiva. “Aqui todos são iguais, independente de onde venham, sendo que eles usam os mesmos tipos de materiais fornecidos pelo projeto. Isso contribui muito para o exercício da cidadania”, fala a triatleta.

Tanto empenho já rendeu inúmeros títulos como de campeão por equipes no Estado do Rio de Janeiro.

Por seu pioneirismo com o triathlon na Região dos Lagos, das milhares de crianças atendidas desde 2007, da referência nacional que o projeto virou, Monike não tem dúvidas: “Essa é mesmo a minha missão e todo atleta deveria fazer isso, já que servimos como inspiração”, afirma. “Já passaram crianças pelo projeto que não levavam o menor jeito para o triathlon, mas identifiquei que eram muito talentosas para outras modalidades, fiz o correto direcionamento, elas estão brilhando no esporte e até hoje me agradecem. São ações capazes de mudar a vida das pessoas. E, quando fazemos bem feito, se torna uma missão transformar vidas”, garante.

Aos oito anos, Matheus segue os passos da mãe e é bicampeão brasileiro de triathlon infantil.

Como não poderia deixar de ser, Matheus Azevedo, filho de Monike, já segue os passos da mãe. Aos oito anos, ele é bicampeão brasileiro de triathlon e aquathlon infantil. “Os treinamentos dele são de forma lúdica, com diversas brincadeiras, já que o Matheus é uma criança, não um atleta”, explica.

“São ações capazes de mudar a vida das pessoas”, celebra Monike, exemplo de amor ao esporte.

Monike diz que faz parte da rotina acompanhar a molecada nas competições aos fins de semana. “Mas é uma grande satisfação ver o sorriso deles ao fim de uma prova e a alegria de saber que conseguiram. São momentos muito valiosos”, comenta. “O que fiz foi transformar em responsabilidade social todo o aprendizado que o esporte me trouxe e, com isso, a minha vida também foi transformada”, finaliza.

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