Miguel Valente: imenso aprendizado nos Jogos Rio 2016

Atletas

A experiência de participar da Olimpíada com certeza foi única! Foi a concretização de um sonho e às vezes era difícil acreditar que eu estava lá com os melhores do mundo. E mais: que eu era um deles! Ver o Nadal e o Bolt andando pela Vila Olímpica, entre tantos outros ídolos, é algo que levarei para o resto da vida com orgulho. Aliás, já está tatuado no braço (risos).

Por ter sido realizada no Brasil, um fator muito positivo foi ter a torcida em peso em nosso favor. A energia do brasileiro é contagiante e era incrível sentir toda aquela vibração. Eu nunca esquecerei, por exemplo, o primeiro dia da natação nos Jogos. Quando o Luiz Altamir Melo foi nadar as eliminatórias dos 400mts livre, eu vi 12 mil pessoas gritando o nome dele. Embora a natação seja um esporte que cresce no país, as competições não chegam a ter esse público. Portanto, escutar aquela massa berrando o nome de um colega meu com certeza foi um dos momentos mais emocionantes para mim. Depois foi a minha vez de ouvir o meu nome em alto e bom som. Foi preciso manter a compostura para não perder a concentração, mas certamente ficará guardado para sempre no meu coração.

Por outro lado, justamente pelo fato de ter sido uma Olimpíada em solo nacional, os próprios atletas acabaram criando uma expectativa imensa e essa pressão atrapalhou o desempenho. No entanto, mesmo que a natação não tenha conquistado nenhuma medalha, um mega evento esportivo como esse sempre deixa como legado a inspiração para as crianças que assistiram às disputas, além da descoberta de novos ídolos. Foi possível ver o Michael Phelps em ação e isso despertou o interesse de muita gente para as provas de natação. Esses exemplos para os mais jovens foram os principais legados para as próximas gerações. Eu senti isso na prática. No Minas Tênis Clube, onde treino, tem um menino que foi ao Rio acompanhar as disputas da modalidade. No dia em que competi ele foi lá me cumprimentar e torcer por mim, sendo que até hoje conversamos quando nos encontramos no Minas.

Para mim, de todas as formas, a Olimpíada serviu como imenso aprendizado. Penso, é claro, em disputar os próximos Jogos (em Tóquio, 2020), mas novos atletas também almejam conquistar esse feito. Mas com o trabalho realizado no Minas Tênis Clube e o apoio da Hammerhead, tenho grandes planos e pretendo conquistá-los.​

Por Miguel Valente, nadador do Minas Tênis Clube e um dos principais fundistas da atualidade. O mineiro disputou a prova dos 1.500mts livre nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Foto: Satiro Sodré

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