Matheus Rheine: estreia emocionante no pódio paralímpico

Atletas

O meu pai sempre foi apaixonado por esporte e por influência dele também adoro. Comecei a nadar aos três anos por recomendação médica para melhorar a bronquite. Mas foi somente em 2007, a partir de um projeto realizado em Brusque, que fui convidado a competir. Eu tinha 14 anos na época e adivinhem o resultado? Não parei mais.

“Ainda em 2007 disputei as paralimpíadas escolares e conquistei três medalhas de ouro. Uma curiosidade: foram 30 horas de viagem! Mas valeu a pena, pois já me destaquei mesmo treinando pouco e sendo a primeira competição. Dois anos depois descobri o Comitê Paralímpico e as competições internacionais. A partir daí fui evoluindo em cada evento. Em 2010 ingressei na seleção brasileira e disputei o mundial na Holanda; em seguida participei do Parapan; em 2012 alcancei o índice para os Jogos Paralímpicos de Londres, sendo finalista nos 400mts livre; e fui medalhista de prata no Mundial de Glasgow 2015. Segui nesta crescente até o ápice: os Jogos Rio 2016. O momento tão aguardado havia chegado!

No dia da minha prova principal, os 400m livre, tudo ocorreu exatamente como um filme que estava gravado na minha mente. Dormi muito bem e tranquilo, descansei pela manhã, fui para a piscina, ouvi o meu nome ser ovacionado, dei a largada e fiz as passagens conforme o ritmo esperado. Apesar do cansaço, no final fui levado pelos gritos da torcida. Como resultado consegui a tão sonhada medalha olímpica com o terceiro lugar (4min41s05). A comemoração do público foi tão intensa ao final da prova e na premiação que parecia que o ouro era meu. Não há como descrever a emoção que senti com aquela energia emanada pela torcida brasileira. Fiquei muito grato e imensamente orgulhoso!

Jamais esquecerei a hora em que pude finalmente celebrar com a minha família. Abracei e agradeci a todos pelo apoio incondicional. A nossa união foi essencial nos períodos mais difíceis e foi lindo celebrar com eles a realização deste sonho. Eu ainda poderia ter alcançado a prata nos 100m livre se repetisse o meu melhor tempo, mas bati duas vezes forte na raia e acabei em quinto (59s70).

Eu nasci de seis meses e fiquei cego na incubadora. Uma ponderação que sempre faço é que a minha classe, S11, está repleta de pessoas que ficaram cegas ao longo da vida. Existe um resíduo visual de espaçamento e de tempo, o que é bastante diferente de quem nunca enxergou. Um dos principais líderes da minha classe, por exemplo, perdeu a visão no Afeganistão ao ativar uma mina. Meses depois ele já estava reintegrado. Essa seria uma questão importante a ser considerada no paradesporto para cegos, mas sei que não será alterada a curto prazo. E isso torna as minhas conquistas ainda mais especiais”.​​

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