Fabiano Machado da Silva: a Laura é o meu maior troféu

Atletas

O triathleta paralímpico Fabiano Machado da Silva já viveu inúmeras emoções ao longo da sua trajetória esportiva, mas ser pai, como ele conta, foi uma sensação indescritível e insuperável. Apesar de se orgulhar da bem-sucedida carreira como nadador e triatleta, a Laura, sem dúvida, é o seu maior troféu. Confira neste post especial para o Dia dos Pais!

“Eu e a minha esposa Juliana nos casamos em 2003 e no ano seguinte disputei as Paralimpíadas de Atenas, na Grécia. Eu também já tinha participado das Paralimpíadas de Sydney (2000) e ainda tinha a intenção de ir para Pequim (2008). Demos uma segurada, mas em 2006 decidimos que era a hora. A gravidez da Laura foi planejadíssima e tudo aconteceu muito rápido. Para nossa alegria, ela chegou no finalzinho daquele ano.

No começo foi um desafio conciliar a vida de pai e de atleta. Ela não dormia direito, acordava muito e tive que alterar os meus horários de treino. Mas consegui dar continuidade a minha carreira, embora com uma rotina totalmente diferente. Apesar dessa mudança de vida, passar por todo o processo de paternidade – de vê-la dar os primeiros passos e acompanhar o seu crescimento – foi uma experiência de vida que me fez amadurecer muito.

A cada dia é um aprendizado! Às vezes achamos que estamos ensinando a criança, mas é ela quem nos dá grandes lições. Eu passei a estabelecer outras prioridades e a administrar com muito mais precisão todas as minhas demandas. A Laura também me ensina muito com o convívio. O homem é mais ogro e de repente eu me vi em um mundo totalmente diferente de bonecas e maquiagem. Acabei aprendendo na marra (risos).

Apesar de ter somente 10 anos, a minha filha tem uma personalidade incrível. Ela é bem decidida no que deseja, não fica no meio do caminho e acaba trabalhando para que tudo aconteça. É claro que a convivência comigo acabou despertando o amor dela pelo esporte. Desde que a Laura começou a se movimentar passou a me acompanhar nos treinamentos e ela está sempre comigo. Já mostrei todas as três modalidades do triathlon, mas o que ela gosta é de ginástica rítmica. Ela é muito obstinada e tem todas as características para ser uma atleta, mas isso só o tempo dirá.

O esporte ensina a querer, mas sem precisar passar por cima. A Laura não gosta de ver injustas, sendo bem correta em suas ações. E admiro muito a minha filha por preservar esses valores que aprendi desde cedo. Ela tem várias atitudes que sempre me dão muito orgulho. Estamos em processo de adoção e a Laura tem sido muito receptiva e parceira, estando de coração aberto para receber mais duas meninas. E fico muito emocionado com a maturidade com que ela trata tudo.

Da minha parte, enquanto pai, ensino a questão da persistência, de não desanimar nunca. O paratleta sempre tem que superar barreiras, preconceitos e dificuldades. Comigo não foi diferente. Aos 17 anos amputei a perna direita por conta de um tumor ósseo. Naquela época eu já costumava praticar esportes e tinha intimidade com a piscina. Um ano depois voltei a nadar e participei de duas olimpíadas e três jogos Panamericanos na modalidade. O último foi em 2007, no Rio de Janeiro. A Laura era pequenininha, mas vivi momentos inesquecíveis enquanto pai e atleta. Eu migrei para o triathlon em 2012, pois precisava de novos estímulos e de outras metas. Foi desafiador, pois eu sabia nadar, mas não pedalar ou correr. Mas foi um processo muito gratificante, principalmente quando completo uma prova (na categoria paraolímpicas as distâncias são de 750m, 20km e 5km). E já consegui grandes conquistas, como participar do Mundial e de três Parapan-Americanos, com um bronze alcançado.

Filha, essas são lições que você aprende diariamente comigo. É um legado que não tenho como explicar na teoria, mas são com as minhas atitudes que mostro a você o caminho. Afinal, fazer é muito mais forte do que só falar. Mas o meu principal conselho para você é estudar e buscar os objetivos que a façam feliz. Estarei sempre ao seu lado. Eu te amo e tenho muito orgulho em ser seu pai”.

Por Fabiano Machado da Silva, 42 anos, que disputou duas Paralimpíadas e três Parapan-Americanos como nadador. Atualmente é paratleta de triathlon, tendo disputado três Parapan-Americanos na modalidade e com uma medalha de bronze, além de disputar o mundial da categoria.

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