Dona Iliana: orgulho em tê-la como mãe

Atletas

É impossível falar do meu período de nadadora sem relembrar da minha mãe. Durante todos os anos em que me dediquei de corpo e alma ao esporte, ela sempre esteve ao meu lado de forma incondicional.

A nossa rotina começava cedo, às 4h45, já que às 5h30 tinha início o primeiro treino do dia. No carro ficavam todos os meus apetrechos de atleta e estudante. Na parte da tarde, novamente ela me acompanhava na extenuante rotina de treinos, sempre na borda da piscina, incentivando o meu desempenho, principalmente quando eu estava exausta.

Às vezes, claro, eu fraquejava. Não é fácil segurar a ansiedade e as emoções, principalmente em época de competição. Nestas horas de insegurança ela sempre me abraçava e dizia “filha, tudo vai dar certo”. Aquilo me acalmava e me dava certeza que as coisas ficariam bem.

Quem é nadador sabe o quão difícil é conseguir qualquer tipo de apoio aqui no Brasil para o esporte amador e a mãe nunca mediu esforços para viabilizar todas as minhas viagens. Graças ao empenho dela consegui competir no Meeting Internacional de Porto (POR), World Student Games em Sheffield (ING) e treinar três meses em Coral Springs (EUA), isso sem falar de todas as competições regionais e nacionais. Quando decidi abandonar as piscinas para me dedicar às faculdades de jornalismo e educação física, na época não pensei que, na verdade, de certa forma eu também estava aposentando ela da missão que tanto amava de ser mãe de atleta.

Logo depois que me formei em jornalismo fui morar no Rio de Janeiro e durante quase 20 anos todas as minhas medalhas, troféus e recortes jornalísticos ficaram guardados em caixas que se perderam em sótãos escuros. Ao voltar para Florianópolis comecei a fazer o resgate da minha história de atleta. Recuperei as publicações, depois os troféus, mas nada de achar as caixas de medalhas. No dia 23 de setembro, por coincidência o mesmo dia do aniversário da mãe, elas finalmente foram encontradas e o meu legado estava inteiro e intacto. A mãe já não estava mais entre nós, mas de alguma forma sei que ela estava presente em cada momento desta busca pelo meu passado de nadadora. E tenho certeza que ela está muito orgulhosa da minha decisão de voltar a nadar, agora como atleta master do Lira, clube que defendi durante tantos anos e que foi o meu segundo lar por tanto tempo.

Vinte e dois anos se passaram, o clube está bem diferente, mas é como se eu pudesse enxergá-la na borda da piscina, com seu sorriso meigo, seu olhar confiante e seu eterno amor por mim. A Dona Iliana, como ela era e ainda é conhecida por todos, sempre estará ao meu lado. E sou imensamente grata por tê-la como mãe.

Por Juliana Germann, nadadora master do Lira Tênis Clube (SC)

Não existem comentários, envie o seu