Cresce a procura por produtos saudáveis e sem glúten

Vida Saudável

Na última década a obesidade no Brasil aumentou em 60%, apontam os indicadores do Ministério da Saúde. No total, 52,5% da população está acima do peso e o país já ultrapassou o índice da Organização Mundial da Saúde. Muito mais do que um problema de estética, o aumento do peso pode acarretar uma série de doenças graves, como diabetes, hipertensão, câncer, infarto e derrame.

“Houve um aumento na renda familiar e as pessoas passaram a adquirir maior quantidade de alimentos, mas não necessariamente os mais saudáveis. Como não houve uma educação familiar quanto à correta alimentação, atualmente os brasileiros consomem mais açúcar, produtos gordurosos e industrializados”, alerta o nadador master e empresário Paulo Manuel Cardoso da Rocha.

Paulo conta que também já esteve alguns quilos acima do peso. Há 13 anos, quando se mudou de Curitiba para Florianópolis, ele estava sedentário e com quase 100kg. “Como sempre gostei de natação, voltei a praticar a modalidade, entrei na academia e fiz o acompanhamento nutricional. Em seis meses, com uma alimentação balanceada e sem passar fome, o meu peso foi para 83 kg”, revela.

Formado em administração de empresas e com pós-graduação em Engenharia de Produção, ele decidiu levar essa experiência para os negócios e em junho de 2016 abriu uma empresa que fabrica e entrega pratos saudáveis. “A ideia começou com a minha esposa que é educadora física, sempre teve uma alimentação balanceada e cozinha bem. Pesquisamos bastante sobre os ingredientes que poderiam ser substituídos por opções saudáveis e montamos os pratos sem glúten e lactose”, comenta.

Paulo diz que se surpreendeu com a demanda principalmente do público celíaco. Quanto mais estudava esse mercado específico, mais aprendia sobre a necessidade que essas pessoas têm de consumir uma alimentação adequada. “Cerca de 2% da população mundial é celíaca, sendo que no Brasil esse índice é de 4%. Os sintomas são assustadores, como mal-estar, queimação no peito, fadiga, dores locais, apenas para listar alguns. No entanto, muitas pessoas não levam a doença celíaca a sério e interpretam os sintomas como frescura”, lamenta.

Segundo Paulo, também impressiona a quantidade de atletas celíacos. O tenista Novak Djokovic é um exemplo. Ele só deslanchou no esporte após tratar a doença. “E quando falamos em atletas de ponta, como é o caso do Djokovic, o problema interfere diretamente no desempenho”, conta. O tenista reportou em livro que os mal-estares e problemas respiratórios atrapalhavam muito nas partidas e o quanto os novos hábitos melhoraram a sua performance. “Assim como o Djokovic, inúmeros desportistas são portadores da doença e vários não têm noção disso. E infelizmente os sintomas podem ser mais implacáveis do que qualquer adversário”, alerta.

Outra grande preocupação é com a obesidade infantil, que afeta quase 40% das crianças brasileiras, o que representa 1.000% a mais do que há quatro décadas. Paulo explica que o maior exemplo vem dos pais e muitos deles, no entanto, entopem os seus filhos com refrigerantes e pacotes de bolacha recheada. “Eu conheci um jovem nadador que todo dia após o treino bebia refrigerante e comia coxinha que a avó dava. Aos poucos ele foi mudando os hábitos alimentares e em curto tempo diminuiu a massa gorda, aumentou a massa magra e os tempos melhoraram absurdamente. Esse é um exemplo clássico! Por isso lamento quando vejo os pais saindo da piscina e dando biscoito para os filhos. Essa é a antítese da qualidade de vida que o esporte proporciona”, finaliza.

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