André Brasil: somos capazes de fazer coisas incríveis!

Atletas

Há um ano a seleção brasileira de natação encerrava no Rio de Janeiro a sua participação histórica em Jogos Paralímpicos, com 19 medalhas, sendo quatro de um nadador que tem Brasil no nome. André se tornou o segundo maior medalhista paraolímpico do país ao lado de Clodoaldo Silva, com 14 no total, atrás apenas de Daniel Dias, com 24.

“Quando penso nos Jogos Rio 2016, algumas palavras vêm a minha mente: INESQUECÍVEL, INCRÍVEL e ÚNICO. É muito especial para um atleta competir em casa tendo o apoio da família, dos amigos, da torcida e fico imensamente grato por ter vivenciado esse momento. Foi emocionante ter a família reunida e ver os meus pais, que são separados, abraçados celebrando as conquistas do filho, independente da cor da medalha. Meus amigos de infância e até mesmo quem não conhecia o meu trabalho puderam participar dessa grande festa.

Nunca imaginei estar na frente de 18 mil pessoas e após o bronze nos 4×100 medley fomos aplaudidos de pé durante vários minutos. Era o último dia de competição e caí em lágrimas. É uma dedicação imensa para vivenciar momentos que passam tão rápido. Eu sou muito crítico quanto ao meu desempenho e daria nota 7 (pelo menos passa de ano rsrs). Com alguns ajustes poderia ter outro desfecho nos resultados, mas participar de uma paralimpíada no meu país e ganhar quatro medalhas – 2 de prata e 2 de bronze – me fez um felizardo! E a conquista histórica do Brasil, com 19 medalhas  – 4 de ouro, 7 de prata e 8 de bronze -, mostrou a força da natação paraolímpica no país.

É fato que ainda dependemos do resultado de alguns poucos atletas e precisamos, assim como no futebol, de uma peneira maior, com mais pessoas envolvidas e engajadas na promoção e evolução do esporte. Aos poucos a mudança está acontecendo, mas ainda precisamos alcançar patamares maiores. Lutamos contra uma mudança cultural, onde o indivíduo com algum tipo de deficiência ainda é subjugado em nosso país. Sonho que um dia ainda teremos oportunidade de igualdade, pois somos capazes de fazer coisas incríveis!

Por isso digo que essas não foram conquistas minhas, mas de 50 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Nós carregamos o peso de uma bandeira a qual precisamos lutar contra o preconceito e discriminação. É necessário colocar em prática leis que já existem, mas que não são aplicadas, para oportunizar a transformação de vida de milhões de pessoas.

Aos 33 anos, seguirei fazendo o meu melhor na piscina e fora dela. A partir do dia 30 de setembro participarei no México do meu quinto mundial e espero que mais medalhas venham. Defenderei da melhor forma possível o Brasil para honrar de todas as maneiras a nossa bandeira”.

  • 20 de setembro de 2017

    Reviver os momentos da Rio 206 me emociona sempre…Gratidão é uma palavra a ser repetida todos os dias .Estamos solidários com nossos irmãos mexicanos …pedindo ao pai que olhe por todos nesse momento.